7 de abril de 2020

Sou rica e não sabia







Queria saber escrever coisas bonitas, com ar inteligente, que as pessoas lessem e dissessem: ‘que bem escreve! Como é inteligente!...’ Mas não, quando escrevo não é isso que acontece. Ninguém dá importância, ninguém quer sequer ler. É por isso que escrevo só para mim. E, presentemente, escrevo para ocupar o excesso de tempo livre que esta quarentena me trouxe. A quarentena e a chuva que não pára de cair.

Quem me havia de dizer que iria ter tempo livre em excesso? Pois é, este vírus invisível conseguiu essa proeza. Dou por mim sem saber o que fazer, a deambular pelas divisões da casa, a espreitar pela janela para ver a rua completamente vazia. Levanto os olhos para os edifícios do outro lado da rua e aceno um olá aos vizinhos que, como eu, estão confinados às quatro paredes das suas casas. Deixo a janela e volto para dentro equilibrando-me ora num pé ora no outro para passar o tempo.

Subitamente um raio de sol entra pela janela criando uma faixa de luz que atravessa a sala. A chuva parou! A chuva parou! Finalmente. Corro para a porta, saio para a varanda e daí, para a relva que se estende até ao muro do meu pequeno jardim. Respiro fundo e abro os braços ao sol. Nesse momento penso naqueles que não têm um jardim, nem uma varanda mesmo que sejam pequenininhos e fico triste por eles. Nos dias que correm ter um jardim para poder esticar as pernas longe do malfadado vírus é um luxo.

E então descubro com surpresa que, afinal sou rica! Sou rica e não sabia!
Sou RICA!!!


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